14 Sep

As raízes da inveja e da raiva

Se você é um ser humano você já sentiu inveja! É difícil de admitir, não é?! A inveja é um dos sentimentos mais mesquinhos e secretos que podemos sentir, no entanto, todos nós já sentimos, e frequentemente escondemos o fato nos confins de nossa alma, até de nós mesmos!

Você já notou que o mecanismo mais “gritante” da inveja é a raiva? Sentimos raiva daquilo que não podemos ter ou ser. A raiva é um notório mecanismo de defesa da inveja. Como é tão vergonhoso admitir a inveja, mesmo para nós mesmos, nós dizemos então que temos raiva! As mulheres têm raiva daquela garota no trabalho que é imensamente linda, magérrima e chama atenção do sexo oposto com a maior facilidade. Os homens têm raiva do vizinho que tem uma BMW. Temos raiva daquele funcionário que acabou de entrar na empresa e já está anos-luz à nossa frente. Enfim, criamos as mais “inocentes” desculpas para justificar a nossa raiva, para desmerecer o outro e provar por A + B que nossa raiva é justificada, só não nos damos conta do óbvio: estamos com inveja!

É claro que há níveis diferentes de pessoas invejosas e isto afeta nossas vidas das formas mais variadas. A maioria das pessoas que conheço não possuem um nível patológico de inveja de forma que poderiam ser rotuladas como “pessoas invejosas”. Você leitor, também pode não se enquadrar num nível doentio de inveja, mas não é exatamente a estas pessoas que estou direcionando este artigo.

A inveja é um mecanismo ligado diretamente à nossa auto-estima (ou falta dela), quanto menos auto-estima temos, mais inveja sentimos. Como ninguém tem 100% de auto-estima sadia, todos sentimos inveja uma vez ou outra e não há problema com isso, na verdade. Podemos inclusive aprender a tirar vantagem desse sentimento tão mesquinho para o nosso próprio crescimento pessoal.

Veja bem, nós não sentimos inveja de todos aqueles que são ou tem algo que não temos, a inveja só lança suas garras quando o fato nos toca num ponto sensível: nós invejamos aquilo que sabemos que podemos ter ou ser, mas que por algum traço negativo em nós, ainda não conseguimos. A inveja nos mostra quais os pontos que precisamos trabalhar em nós mesmos.
Por exemplo, a mulher que está acima do peso e sente inveja da outra que tem o corpo que ela deseja está em conflito consigo mesma. Ela sabe que está acima do peso por sua própria culpa (é preguiçosa e não leva àdiante dietas e exercícios, come além da conta por gula, não tem força de vontade suficiente para emagrecer, etc). A magra torna este fato evidente, mas seu mecanismo de proteção interno a impede de assumir a culpa e então ela direciona a raiva que sente de si mesma por ser incompetente em sua luta contra o peso e coloca em cima da outra que é magra.

A inveja de quem tem mais dinheiro ou uma posição profissional mais alta que a nossa também pode ser um indicativo de que estamos em sub-nível com nós mesmos, com o que poderíamos já ter ou ser. Enquanto estamos crescendo profissionalmente e sabemos que ainda não deveríamos naturalmente estar em uma posição muito alta, olhamos para quem está lá e nos sentimos inspirados. No momento em que sabemos que já deveríamos estar lá, mas não estamos, passamos a sentir inveja (raiva) de quem está acima de nós e principalmente de quem começa abaixo de nós e rapidamente nos passa, pois este fato evidencia gritantemente o quanto somos incompetentes. Mas é claro que não podemos assumir esta incompetência para nós mesmos! Nosso mundo desabará se fizermos isto! (pelo menos é nisso que nosso ego acredita!) e então nós voltamos a raiva que sentiríamos de nós mesmos por não sermos bons o suficiente para o outro.

Não sentimos inveja ou raiva quando um fato não nos afeta intimamente. Só reagimos negativamente àquilo que toca em nossa ferida, em nossa auto-estima dilacerada devido à nossa própria incompetência ou falta de ação.

Saber utilizar a inveja para o nosso próprio crescimento é um ato de maturidade e certamente ajudará a melhorar a nossa auto-estima.

Faça este exercício constantemente: toda vez que sentir aquela pontada de “raiva” contra o que quer que seja, pergunte a si mesmo, será que eu não estou com inveja? Será que isto não está me mostrando algo que eu já deveria ter feito, uma atitude que eu já deveria ter tomado, mas que por dificuldade própria eu ainda não fiz? Qual a ferida que o objeto da minha raiva está tocando? Por que isto me afeta tanto?

William Johnson, PhD - Psicólogo e coach em desenvolvimento pessoal

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7 Respostas para “As raízes da inveja e da raiva”

  1. 1
    samuel Disse:

    oque acontece não falta de consciencia sobre a inveja,prém será através de oprtunidade que este obtém,porque tem um familiar que é superior herarquio seu e logo as vantagens estão espostas.minha pergunta como contornar este tipo de situções,numa instttuição pública onde as progreções estão prevista e de uma forma uniforme’?

  2. 2
    silvana Disse:

    legal..gostei do conselho…de que em vez de atacarmos o outro com a nossa ira, devemos nos questionar a nós próprios, pode bem ser que a resposta seja mais óbvia possivel e traga a solução! mas tem que ter humildade para reconhecer isso..caso contário a gente vai morrer de ódio!

  3. 3
    Adelaide Disse:

    Que ótimo! Estou saindo desta leitura com uma sensação de luz.É muito especial, ter alguém nos dizendo:olha o que se passa em seu mundo,observe as situações que se apresentam em sua vida e aprenda com elas.Amadureça!Só tenho uma palavra para expressar: obrigada!willian Johnson.

  4. 4
    Keila Teixeira Disse:

    Puxa que bom ter o privilégio de ler algo tão bom e objetivo, isso já aconteceu comigo e eu realmete me fiz estas perguntas, e ao identificar as feridas tocadas pela inveja em forma de raiva, tratei logo de saná-las. Lembrando que ainda estou em tratamento!

  5. 5
    Monica Disse:

    HOJE CONSIGO TRABALHAR BEM COM ETE SENTIMENTOS, POR LER MUITO.
    sE VEJO ALGO LEGAL EM ALGUÉM, E POR ALGUMA RAZÃO SINTO INVEJA EU PARO E PENSO.
    COMO FAÇO PARA TER A MESMA COISA QUE ESTA PESSOA TEM, E PROCURO ACHAR MEIOS PARA TER IGUAL.
    PROCURO VER OS CAMINHOS QUE ELA PERCORREU OU SE GUARDOU DINHEIRO PARA TER O BEM ADQUIRIDO.
    ASSIM A INVEJA, ACABA PASSANDO PARA UM SENTIMENTO DE CONQUISTA. ACABO MUDANDO OS VALORES.

  6. 6
    MARA Disse:

    Bem, não concordo que raiva e inveja esteja interamente ligados, pois as vezes temos raiva de ser enganados, de ser ludibriados, e quem não tem?
    Se por acaso alguem que ja passou por alguma decepção e não teve raiva esta pessoa é iluminadissima e poderia até escrever um livro de auto ajuda
    eu jamais teria inveja de alguem que usa de mentiras para obter algo esgoista que só vise exclusivamente seu lado ao ponto de prejudicar ou machucar alguem.

  7. 7
    Wilson Disse:

    Sinceramente a inveja para quem compreende como ela funciona e os comportamentos que são manifestados por quem a sente, perceberá que é a sensação mais inferior e atrasada que existe!!!!!

    Normalmente, verifico essa sensação em pessoas quando não consegue “DESEJAR DE FATO” Felicidade, Sucesso, Bem-Estar, a uma outra pessoa ou parente e se alegra de fato quando as pessoas que estão a sua volta são bem sucedidas em objetivos pessoais ou profissionais.

    Normalmente o invejoso(a) nega a conquista, chama de puxa-saco quem fica contente com as conquistas da outra pessoa, procura de todas as formas defeitos na forma de alcançar os ojetivos e faz muitas críticas, faz comentário maldosos e maliciosos contra o invejado e alguns ficam até infelizes pela felicidade do outro.

    Penso que isso e regredir na evolução e conhecimento nitidamente e de uma certa forma atrasa a vida de quem atinge o sucesso em objetivos, se estiver muito próximo de quem sente inveja.

    O fato é que nos temos que detectar rapidamente e aceitar que está sentindo inveja e mais rápido ainda mudar as atitudes porque essa senção atrasa mais ainda a vida do invejoso e isso certamente ajuda na evolução e crescimento reais tanto profissional, quanto pessoal de uma pessoa.

    Concluindo, melhor se livrar logo dessa maneira de ser, se o objetivo e crescimento em qualquer sentido da vida!!!

    abraço

    Wilson

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