10 Feb

Proatividade X Reatividade - Qual a diferença mesmo?



Temos recebido esta pergunta com frequência. Muitas pessoas vêem este conceito de forma simplista – “proatividade é ter iniciativa” – muitos pensam. Mas como se diz popularmente, “o buraco é mais em baixo”!

Iniciativa em si não define de fato a proatividade, pois o conceito contrário – a reatividade – também envolve iniciativa.

Vamos voltar para o começo então, a base do conceito! O que, acima de tudo, diferencia um indivíduo proativo de um reativo?

A postura mental! E nós temos falado bastante deste assunto aqui no site! A postura mental é o que no final das contas define seus resultados na vida: excelência x mediocridade, sucesso x fracasso, “sorte x azar”, oportunidades, felicidade, satisfação, depressão, enfim, a lista é longa! Todas estas questões são definidas por sua postura mental!

Mas o que é postura mental? É o seu posicionamento, os seus paradigmas, os seus conceitos internos que definem como a vida é e como as coisas devem ser ser e acontecer. Quanto mais cristizados, ou “imutáveis” são estes conceitos, mais dificuldades você terá na vida.

Nossos paradigmas são como mapas que nos informam como é o território onde estamos pisando. O problema é que nós, seres humanos, não compreendemos o território, nenhum dos nossos mapas pode ser considerado 100% correto, nós sempre estamos errados em alguns pontos e certos em outros. A teimosia em não admitir este fato é o que faz nossos paradigmas se cristalizarem – passamos a acreditar que nosso ponto de vista é “o correto” e que todos deveriam fazer as coisas da forma como acreditamos que devem fazer.

Esta postura mental rígida e imutável é contrária à proatividade. Por quê? Porque o indivíduo que acredita fielmente que seu ponto de vista é o único correto esgotará suas forças para brigar e provar que está certo. Isto gera irritabilidade, frustração, decepção, baixa auto-estima, baixa autoconfiança, medo e por fim depressão, em casos em que a pessoa adota o papel de vítima – “já que ninguém vai concordar comigo, então eu vou fazer bico”.

O indivíduo proativo pouco se importa com o que os outros pensam e como levam suas vidas, ele tem mais com que se preocupar. A energia e o tempo que o reativo gasta reclamando, brigando, defendendo seu ponto de vista, se irritando, se frustrando quando as coisas dão errado, o proativo investe na busca de seus objetivos. E tudo isso nasce na postura mental.

O proativo está consciente de que suas idéias e conceitos podem estar equivocados e está aberto para aprender e mudar. Ele assume riscos e também a responsabilidade por quaisquer erros, coisa que o reativo não faz – se ele está 100% certo em tudo, como é que ele cometeu um erro? Ah, foi culpa de alguém, ou do ambiente!

O grande problema é que indivíduos reativos pensam que são proativos! Eles não se vêem como realmente são! Quando finalmente são encurralados pela vida ou mesmo por sua própria consciência e são obrigados a admitir a si mesmos que estiveram errados e cometeram erros, eles adotam o papel de vítima e se fazem de coitadinhos, fazendo pouco caso de si mesmos e repetindo frases do tipo “eu não sirvo pra nada mesmo”, “eu sou um perdedor, nunca vou conseguir nada na vida”, “não adianta nem eu tentar, não vai dar certo mesmo, eu sou um azarado…”, “nada dá certo pra mim, não sei porque…”

A intenção insconsciente é óbvia, conseguir atenção alheia, mas em nossa sociedade, a “sociedade da pena”, pouco estímulo eficaz estes indivíduos acabam recebendo, tanto de pessoas próximas, quanto de profissionais. Alguns tentam encontrar a culpa na infância e ficam nisso mesmo, só alimentando ainda mais a crença de que o indivíduo é uma pobre vítima de seu próprio passado. Outros simplesmente receitam remédios, há ainda os que não falam nada, só ouvem… Pouquíssimos são os que de fato resolvem o problema. E por quê? Porque para resolver o problema de um indivíduo reativo, é preciso ser antipático e dizer-lhe coisas que ele não está disposto a ouvir, o que geralmente resulta na perda do cliente, coisa que estes profissionais não querem!

Mas como saber então se eu sou proativo ou reativo? Observe sua rotina diária, você se sente frustrado com frequência? Você fica irritado com facilidade? Quais os motivos de suas discussões com pessoas próximas? Nas últimas vezes que você se programou para fazer algo e não conseguiu fazer, quais foram os motivos? Você está à todo vapor seguindo em direção aos seus objetivos? Por que não? Sua resposta a esta pergunta envolve muitas desculpas e racionalismos?

Outro ponto que pode ajudá-lo a identificar se você é proativo ou reativo é analisar como você vê as dificuldades do mundo à sua volta. Você sente pena com facilidade? Você culpa economia, governo, vida ou sorte pelo fracasso dos outros?

Se você se identificar como reativo, não se desespere! O primeiro passo já foi conquistado. A mudança de postura mental muitas vezes é questão de “uma única ficha que deve cair”, quando isto acontecer, sua atitude no dia-a-dia muda como num passe de mágica, você começa a ver quanto tempo e energia perdeu se importando com coisa pequena, se auto-afirmando e convencendo o mundo de que você estava certo, ou simplesmente se frustrando com coisas que não aconteciam da forma como você esperava.

Fran Christy - Escritora e consultora em desenvolvimento pessoal e estratégia.

11 Respostas para “Proatividade X Reatividade - Qual a diferença mesmo?”

  1. 1
    Domingos Cahanda Disse:

    A definicao de proactividade sempre fez-me confusao, mas lendo este artigo consegui perceber um pouco mais a dimensao este atributo/qualidade que se começou a usar muito aqui em Angola nos últimos dois anos, principalmente nos anuncios de empregos. Se poderem um dias destes arranjar uma definicao clássica, por favor nao hesitem em dá-la a conhecer aos leitores. Por outro lado, apesar de me dedicar muito naquilo que faço, tanto é que desempenho um cargo senior na minha organização, pelo que li, ainda nao sou um individuo proactivo. Tenho que melhorar a minha postura mental. Obrigado.

  2. 2
    Fábio Pereira Disse:

    Acredito que uma auto análise revelará que há momentos que somos reativo, a maioria das vezes, e que somos também proativo. Em nosso dia-dia fica difícil ser proativo o tempo todo.
    Mas espero renova os meus paradigmas!

    sou grato pela matéria.

  3. 3
    Julio Cesar de Oliveira Disse:

    Prezados (as),

    Muito bom este artigo sobre o conceito da proatividade x reatividade. Aproveito para salientar algumas linguagens utilizadas por estes comportamentos:
    Linguagem Reativa
    Não há nada que eu possa fazer.
    Sou assim e pronto.
    Ela me deixa louco.
    Eles nunca vão aceitar isso.
    Tenho de fazer isso.
    Não posso.
    Eu preciso.
    Ah, se eu pudesse…

    Linguagem Proativa
    Vamos procurar alternativas.
    Posso tomar outra atitude.
    Posso controlar meus sentimentos.
    Vou buscar uma apresentação eficaz.
    Preciso achar a reação apropriada.
    Eu escolho.
    Eu prefiro.
    Eu vou fazer.

    Respeitosamente,
    Julio Cesar de Oliveira

  4. 4
    Carlos Disse:

    Nossa, cada vez eu me surpreendo mais com a qualidade dos artigos postados neste site! Estou gostando muito também dos emails da nova lista sobre o segredo. Admiro a disponibilidade de vocês de estarem compartilhando tanto conhecimento sem exigir nada em troca.

    Eu ainda tenho um longo caminho pela frente para vencer a minha reatividade, mas tenho notado que desde que comecei a ler os artigos aqui eu tenho estado mais consciente dos meus pensamentos e açoes e algumas vezes eu consigo reverter um quadro negativo, o que considero para mim, um grande avanço.

    Muito obrigado por tudo!

    Carlos

  5. 5
    Juliana Marques Disse:

    Excelente artigo…adorei, mesmo me identificando como uma pessoa mais reativa do q proativa, percebi q tenho muito q trabalhar meus paradigmas, mas com certeza conseguirei, pois além de não desistir tão fácil, os artigos de vcs ajudam muito. Aliás os emails sobre o Segredo são excelentes, tem me ajudado muito…

    Muito Obrigado.

    Juliana Marques

  6. 6
    paulo moreira Disse:

    vcs sao otimos… vcs nao sabem o bem q vcs estao me fazendo… continuem sempre assim. fazer o bem sem olhar aquem….

  7. 7
    Marcos Aurelio Disse:

    Executo varias atividades em varias funcoes durante a semana, e confesso a que mais me surpreendo e fascino é a relacionada a esportes. Vejo vários técnicos que são tão reativos que se torna hilario quando analiso depois com mas calma, enquanto outros são absurdamente e idolatradamente proativos, exemplos de tecnicos e de vida. Muito boa esta materia de voces! Parabens!

  8. 8
    Ricardo Amorim Disse:

    Esse depate de proatividade x reatividade, na verdade nos leva a pensar que; é impossivél ser proativo sem antes ter se sentido reativo, O texto nos leva a uma reflexão muito profunda que se diz respeito aos nossos valores, crenças, senso de organização, religião. Em que realmente acreditamos, e o que queremos ser de verdade. A postura mental é a verdadeira transformação do indivíduo como todo.

    Sou muito Grato.

  9. 9
    Fabrício Formariz Disse:

    Boa tarde Fran!

    Belas palavras suas, me estimula a busca de sempre mais informação.

    Me faz lembrar da pirâmide de Maslow que explica bem a hierarquia das necessidade e o conceito de expansão de consciência que se encontra no “alto da pirâmide”, com ordem de baixo para cima como a necessidade fisiológica, de segurança, do amor/relacionamento, da estima e da realização pessoal. É uma boa opção de pesquisa para aprofundar o conhecimento.

    Agradeço a oportunidade de compartilhar.

    Um forte abraço!

  10. 10
    glória furtado Disse:

    muito bom a nivél de questionamento ,mas é preciso rever essa questão com mais exemplos na prática.obrigada ,adorei o artigo.

  11. 11
    lyzis moreira de carvalho Disse:

    Para a maioria das pessoas , já é muito difícil perceber seus próprios sentimentos , que dirá , identificar -se nestes dois conceitos.
    Adorei o texto , me foi util .

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